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Extinguindo mitos sobre o Parto Normal: Ciência afirma que é o método mais vantajoso para a mãe e para o bebê

   Como sugerido pela próprio nomenclatura,  não há dúvidas de que o parto normal seja a maneira mais natural para dar à luz. Biologicamente, assim como acontece em tantas outras espécies, o corpo da mulher é totalmente apto – salvo raríssimas exceções –  a suportar a passagem do bebê pela vagina. Apesar de, à primeira vista, a ideia de um parto normal parecer mais impactante, a recuperação pós-parto é consideravelmente mais rápida e os riscos são menores quando comparados à cesárea, um procedimento cirúrgico e altamente invasivo.  Além disso, passar por um processo de parto normal estimula a lactação nos primeiros minutos de vida do bebê.

   Sendo assim, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se estiver tudo bem com a mãe e o bebê, não há motivos para intervir medicamente no nascimento da criança, ou seja, já que o parto normal é um processo fisiológico natural, se tudo ocorrer de forma propícia, a intervenção médica haverá de ser mínima. Na realidade, a recomendação da OMS é de reduzir a “medicalização” e o uso de técnicas que aceleram o nascimento, além de garantir atendimento seguro e saudável para mãe e bebê. Em mulheres sem outras complicações de saúde, para aliviar o desconforto das dores durante o processo de nascimento, a OMS sugere priorizar métodos de relaxamento muscular, respiração, música, massagens e outras técnicas, de acordo com a preferência da parturiente.

Data estimada para o parto? Que nada, quem manda é o bebê!

   “O ideal é que o bebê escolha o dia em que quer nascer”, diz o obstetra Luiz Fernando Leite, do Hospital e Maternidades Santa Joana, de São Paulo. É claro quem em diversos casos é possível que ocorram complicações que podem acabar colocando em risco a vida da mãe e do bebê, por isso muitas vezes a cesariana é a saída. “Mas quando a cirurgia é agendada com muita antecedência, corre-se o risco de a criança nascer prematura, mais magra e com os músculos ainda não completamente desenvolvidos”,afirma o obstetra. Existem fatores já pré-estabelecidos no momento do pré-natal que podem levar o obstetra a decidir pela cesárea, a respeito dos quais não se deve discutir. Alguns desses fatores são: hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional (detectada nos exames primordiais, no início da gestação), insuficiência placentária, problemas renais, entre diversos outros. Então, sejamos justos, a cesariana pode salvar a vida da mãe e da criança.

   No entanto, salvo as situações citadas acima, a própria OMS disponibilizou recentemente um pequeno manual com diversas recomendações para o parto,  onde afirma que o procedimento de cesárea apresenta três vezes mais riscos para a mãe, já que podem ocorrer desde infecções até acidentes com a anestesia, por exemplo. Já para o bebê, vários estudos apontam que os benefícios de um nascimento por parto natural podem se apresentar a longo prazo – sabe-se, por exemplo, que quem nasce por parto natural têm uma tendência menor a desenvolver alergias.

   Outro benefício extremamente importante para o bebê é que o parto normal diminui o risco de doenças respiratórias e de broncoaspiração, que ocorre quando há a passagem das secreções do parto para o pulmão do bebê. Quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. “Isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce”, explica Rosangela Garbers, Neonatalogista do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.

   Apesar de o parto normal não poder ser realizado com dia marcado na agenda, o obstetra pode indicar a data prevista para o parto, o que ajuda os pais a se preparar para a chegada do bebê.

Recapitulando as vantagens do parto normal para a mãe…

   Conforme já discutimos anteriormente, as vantagens do parto normal para a mãe incluem uma recuperação mais rápida, o que, em geral, pode estar associado a um menor tempo de internamento hospitalar. Enquanto  mães que foram submetidas à cesárea precisam permanecer ao menos 4 dias no hospital, aquelas que passaram por parto normal costumam ir para casa após 3 dias. Somado a isso, além do menor risco de infecção pós-parto e do favorecimento da produção do leite materno logo após o nascimento do bebê, o útero da mãe volta ao seu tamanho normal mais rapidamente por estímulo do aleitamento, e os laços mãe-bebê podem vir a ocorrer com maior facilidade.

   Adicionalmente, a cada parto normal, o tempo de trabalho de parto tende a ficar mais curto. Em geral, o primeiro trabalho de parto dura cerca de 12 horas. No entanto, a partir da segunda gravidez, o tempo pode diminuir para 6 horas, mas existem muitas mulheres que conseguem ter o bebê em 3 horas ou menos.

… e para o bebê

   Além da maior facilidade para respirar nos primeiros momentos após o nascimento, o bebê pode possuir uma maior atividade ao nascer por parto normal, já que é beneficiado pelas alterações hormonais que ocorrem no corpo da mãe durante o trabalho de parto, o que o torna mais responsivo. Além disso, tais bebês tendem a possuir maior receptividade ao toque, já que seu corpo é massageado ao transpassar o canal vaginal, o que pode gerar menor estranhamento ao toque de médicos e enfermeiros, por exemplo.

   Outro ponto favorável é que, ao nascer, a criança pode ser imediatamente colocada em cima da mãe, o que acalma mãe e filho e aumenta seus laços sentimentais. , Além disso, após, estar limpa e vestida, e se ambas estiverem saudáveis, a criança, pode permanecer todo o tempo junto da mãe, já que não é necessária observação médica contínua pós-parto.

Parto normal: dói?

   A experiência da parturição é percebida pela maioria das mulheres como extremamente dolorosa e sofrida, compensada, no entanto, pela atenção, apoio e carinho recebidos de alguns profissionais e acompanhantes, que contribuem para uma visão satisfatória durante e pós-parto.

   A dor do parto não é um mito, ela existe para praticamente todas as gestantes em trabalho de parto -algumas mulheres a tolerando com maior facilidade, outras nem tanto. No entanto, vale ressaltar que, muitas vezes, a dimensão do medo que precede este momento pode influenciar significativamente na percepção da dor enfrentada – quanto maior o medo, maior a dor.   

   Nesse sentido, conhecimento e preparo podem ser grandes aliados da mulher. Antes de tudo, é importante lembrar que a dor não é constante: a contração vem, dói, e vai embora. Quanto mais preparada a gestante estiver, tanto no que diz respeito à questão física e emocional, quanto com relação ao entendimento da fisiologia do corpo humano durante o processo, o funcionamento das fases do trabalho de parto, e o que esperar de cada uma das etapas, é provável que a passagem por cada uma das fases até a chegada do bebê seja mais fácil.

   Apesar de o parto natural ser cientificamente comprovada a melhor opção para mãe e bebê quando ambos estão saudáveis, a escolha pelo modo de nascimento da criança depende prioritariamente do consentimento da mãe e do obstetra: os dois trabalhando em conjunto podem decidir o melhor caminho para que tudo ocorra bem durante o parto e também nos períodos que o antecedem e sucedem.

Referências:

Organização Mundial da Saúde. (1996). Assistência ao parto normal: um guia prático. Brasília (DF): OPAS/USAID.

Mabuchi, A. S., & Fustinoni, S. M. (2008). O significado dado pelo profissional de saúde para trabalho de parto e parto humanizado. Acta Paul Enferm, 21(3),420-426.

Barros, M. L. F. (2011). Percepção dos profissionais de saúde e das mulheres sobre o tipo de parto: revisão de literatura. Rev. Enferm. UFPE On Line, 5(2), 496-504.

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