Por que o álcool deixa o rosto de algumas pessoas vermelho?

Você provavelmente já percebeu que algumas pessoas, ao consumirem álcool, ficam com o rosto – e também outras partes do corpo – vermelho. Mas você sabe por que isso acontece? 

Antes de entrarmos nesse tema, temos que entender os efeitos que as bebidas alcoólicas causam em nosso organismo. A substância presente nas bebidas alcoólicas é o etanol, um composto químico que interfere na ação dos neurônios – as células do nosso cérebro –, inibindo ou estimulando a atividade desse órgão. 

Cada indivíduo experiencia um comportamento diferente após o consumo de bebidas alcoólicas. Entre as reações mais comuns estão alterações no humor e na capacidade de atenção, sono, dor de cabeça, náuseas e danos à coordenação motora e ao equilíbrio. 

Esses efeitos podem depender de vários fatores, como o tipo e a quantidade de bebida ingerida, a alimentação, o uso de medicamentos e, até mesmo, a genética. 

Mas e a vermelhidão?

Mencionamos a genética justamente porque é ela uma das principais responsáveis por deixar o nosso rosto vermelho quando tomamos bebidas com álcool.

As pessoas que apresentam essa condição têm, geralmente, uma deficiência em uma enzima específica, a aldeído desidrogenase (ou ALDH2). Um dos papéis dessa enzima é eliminar os componentes tóxicos do nosso corpo após a ingestão do álcool. 

Com o seu mau funcionamento, as substâncias tóxicas que deveriam ser expelidas se acumulam no organismo, provocando um enrubescimento (ou vermelhidão) principalmente no rosto e no pescoço, mas que pode surgir também em outras partes do corpo. 

Além do rubor característico, a deficiência na enzima ALDH2 pode tornar a pessoa mais suscetível a outros efeitos das bebidas alcoólicas, causando dores de cabeça frequentes e impedindo o ganho de resistência ao álcool, mesmo após hábitos de consumo prolongado. 

É verdade que a condição é mais comum entre asiáticos?

Diversos estudos genéticos populacionais apontam que sim. 

O enrubescimento após a ingestão de álcool é um excelente exemplo de como algumas características genéticas podem variar de população a população. 

Pesquisadores da área da genética já concluíram que indivíduos com ascendência do leste asiático têm uma maior propensão a apresentarem deficiência na enzima aldeído desidrogenase (ou ALDH2): estima-se que entre 30% e 50% dos chineses, coreanos e japoneses compartilham dessa condição. 

Exatamente por isso essa característica é conhecida como “rubor asiático” (ou Asian flush, em inglês).

Estudos estimam que até 50% da população do leste da Ásia podem ter uma sensibilidade maior ao álcool

Outras características da ALDH2

Além de influenciar nos efeitos do álcool no organismo, a enzima ALDH2 já foi associada a algumas outras condições. 

Uma pesquisa conduzida no Laboratório Especial de Dor e Sinalização (LEDS) do Instituto Butantan concluiu que a redução da atividade dessa enzima pode ocasionar uma maior sensibilidade à dor. Por outro lado, quando suas atividades são potencializadas, a sensibilidade à dor é menor. 

Outro estudo, realizado no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), associou a enzima ALDH2 à morte celular. De acordo com os pesquisadores, quando a atividade da enzima ALDH2 é melhorada, há um menor índice de morte das células. Com base nisso, o estudo chegou à conclusão de que o consumo de bebidas alcoólicas em baixas quantidades pode ser beneficial à saúde. 

Em contrapartida, para as pessoas que têm uma mutação no gene ALDH2 – a mesma que deixa o rosto vermelho – o consumo de álcool pode intensificar os danos dos problemas cardíacos. 

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Referências 

ANDRADE, R. O. Enzima altera sensibilidade à dor. 27 ago. 2014. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/enzima-da-dor/. Acesso em 29 set. 2021. 

TOLEDO, K. Estudo explica por que álcool em dose moderada pode proteger coração. 28 maio 2018. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/estudo-explica-por-que-alcool-em-dose-moderada-pode-proteger-coracao/. Acesso em 29 set. 2021. 

YE, L. Alcohol and the Asian flush reaction. Studies by Undergraduate Researchers at Guelph, v. 2, n. 2, 2009, p. 34-39.