O apagamento da história da população negra brasileira

Texto escrito em colaboração com Bia Moremi, CEO da Brafrika, empresa parceira da Genera.

Quando você busca sobre os seus antepassados, você consegue encontrar muitas informações? A resposta para essa pergunta pode variar dependendo da história e do local de origem dos seus ancestrais. 

O Brasil, desde a chegada dos colonizadores no século XV, é um lugar por onde passaram vários povos diferentes, que mesclaram as suas culturas com as dos povos originários que já viviam por aqui.

Enquanto os primeiros europeus desembarcaram no país com a intenção de torná-lo uma colônia de exploração, outras pessoas se deslocaram até o território brasileiro em busca de uma qualidade de vida melhor e, até mesmo, por conta de incentivos do governo brasileiro. É o caso da imigração italiana e alemã do início do século XX, por exemplo. Muitas outras pessoas chegaram ao território brasileiro fugindo de guerras, e foram acolhidas como refugiadas.

Uma população que veio ao Brasil em uma quantidade expressiva ao longo da sua formação como país foi a africana. Entretanto, apesar de terem contribuído enormemente para a cultura brasileira, essas pessoas não optaram por vir ao Brasil. Pelo contrário, elas foram, durante séculos, trazidas de maneira forçada e obrigadas a se submeter ao trabalho escravo.

Ancestralidade apagada

Estima-se que até 1888, ano da abolição da escravidão, tenham chegado cerca de 4 milhões de pessoas escravizadas ao Brasil, vindas de diversos países do continente africano.

Nesse processo de deslocamento forçado, os indivíduos eram retirados de suas comunidades de origem e desembarcavam em um lugar com outros costumes, outro idioma e sem conhecer ninguém para viver sob condições de trabalho desumanas.

Muitas das pessoas escravizadas passavam, inclusive, por situações de abusos sexuais e eram separadas de suas famílias. Por esta razão, as novas gerações de descendentes africanos foram crescendo sem ter conexão alguma com seus ancestrais – muitos não sabiam nem ao menos o país ou a região de origem dos seus antepassados.

Esta é uma situação de apagamento da memória ancestral. A maior parte da população brasileira teve, historicamente, a sua ancestralidade negada. Por isso, a resposta para a primeira pergunta – se você consegue encontrar informações sobre os seus ancestrais – é, muitas vezes, negativa quando se trata de pessoas brasileiras com ascendência africana. A complexidade de encontrar documentos oficiais e o apagamento de registros históricos dificultam que essas pessoas conheçam a fundo a sua ancestralidade.

Retrato de Madeleine (1800), de Marie-Guillemine Benoist, no Museu D’Orsay, em Paris (Foto: Bia Moremi/Brafrika)

Restabelecendo conexões

Um importante avanço da ciência que permite às pessoas conhecerem um pouco mais sobre as jornadas de seus antepassados são os testes de ancestralidade. A partir de uma análise de DNA, é possível descobrir de quais regiões do mundo vieram as gerações anteriores à nossa e, também, quais foram os caminhos trilhados por elas ao longo do tempo. Várias plataformas de ancestralidade, inclusive, ajudam na busca de parentes através do DNA.

Embora, para algumas pessoas, esses testes possam confirmar algumas suposições quase certas sobre as suas origens, para outras ele pode trazer à mesa sensações delicadas, um misto de alegrias e lágrimas, que demandam tempo para serem processadas.

Para grande parte da população negra brasileira, a análise de uma simples amostra de saliva pode evidenciar histórias que foram apagadas de maneira institucionalizada. Ao mesmo tempo que existe a alegria de poder finalmente apontar para uma região específica de um mapa e dizer “olha é de lá que eu venho”, há também uma tristeza e uma dor profunda em atestar que não se sabe de nada: nem de “lá” nem das pessoas que, hoje, chamamos de ancestrais.

Mulher na praia do Rio Vermelho, em Salvador, Bahia
Praia do Rio Vermelho, em Salvador, Bahia, durante a Festa de Iemanjá

Brafrika e Genera

Apesar do desconhecimento, vários costumes, tradições, sabores e palavras africanas permanecem vivos na população brasileira. Pensando justamente sobre isso, foi criada a Brafrika DNA, iniciativa voltada para explorar, a partir da ancestralidade das pessoas, a história da população afrodescendente brasileira.

A Brafrika oferece, junto ao Teste de Ancestralidade, Saúde e Bem-Estar da Genera, outros elementos que ampliam ainda mais a experiência de conhecer as nossas origens, de maneira afetiva, social e sensorial. 

O Teste de Ancestralidade Global da Genera informa as porcentagens de cada região do mundo que compõe o nosso DNA. Além disso, ele oferece a ferramenta Linhagens, através da qual é possível traçar os movimentos migratórios dos nossos antepassados mais antigos, há dezenas de milhares de anos.

O objetivo dos pacotes da Brafrika é enriquecer esse momento de descoberta, a ponto de torná-lo uma celebração, e aproximar a pessoa do seu passado.

A partir dos resultados do teste de ancestralidade, é preparado um jantar inspirado na região da África de origem da pessoa, uma consultoria estética específica com base nessa localidade, uma aula de kimbundu – língua do tronco linguístico bantu falada especialmente pelos habitantes da África subsaariana – e um livro ilustrado que aborda a cultura da região africana de onde vieram os seus ancestrais. Além disso, a Brafrika organiza viagens nacionais e internacionais, com roteiros voltados à história das populações negras brasileiras e de origem africana.

Conheça mais sobre os testes da Genera e sobre a Brafrika e descubra como se conectar à sua história.