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Artesanatos coloridos que representam o folclore brasileiro

Folclore: histórias e lendas que constroem nossa cultura popular

Quem não conhece a Mula sem cabeça, o Boto Cor-de-Rosa, Iara, Saci Pererê, Cuca e Curupira? Esses personagens que mexem com o imaginário infantil fazem parte de um conjunto de costumes, crenças, lendas, contos, brincadeiras e conhecimentos que caracterizam nosso povo. Costumes, que passam de geração em geração e são praticados de maneira coletiva ou individual, são chamados de folclore e destacam a importância de valorizar esses elementos na cultura.

Etimologicamente, a palavra folclore quer dizer “conhecimento do povo” e deriva do inglês Folklore – “folk”, que significa povo, e “lore”, que pode ser traduzida como conhecimento ou cultura. Capaz de traduzir a identidade social de determinada comunidade, a palavra folclore é utilizada para definir as manifestações que formam a cultura de um povo e representa elementos simbólicos e materiais que passam pela música, culinária, artes visuais, literatura, histórias, medicina popular, festas, crenças, etc. Ou seja, são os costumes de um povo enraizados na sua forma de viver e compreender o seu espaço histórico, social e cultural que se mantém ao longo das gerações.

Saber mais sobre as tradições que fazem parte da sua história pode ser uma excelente forma de se conectar a sua ancestralidade e conhecer mais sobre os seus antepassados. Vamos descobrir mais sobre as origens do folclore brasileiro?

Breve história do folclore

Apesar de muito antigo, estudos sobre o folclore só começaram em meados do século XVIII e ganharam força na segunda metade do século XIX com os irmãos Grimm e Johan von Herder. A primeira instituição criada com o objetivo de estudar o folclore foi a Folklore Society, que surgiu em em 1878, em Londres, e reunia um grupo de estudiosos que consideravam como folclore os elementos que pertenciam às narrativas tradicionais (contos, mitos e lendas), costumes tradicionais (festas populares, danças tradicionais, etc.), crenças e superstições (magia e bruxaria, por exemplo) e a linguagem popular (dialetos e jargões populares).

No Brasil, estes estudos e as discussões acerca do folclore ganharam notoriedade a partir do século XX tendo como principais expoentes Luís da Câmara Cascudo, Florestan Fernandes, Amadeu Amaral e Mário de Andrade. Em 1951, aconteceu o I Congresso Brasileiro de Folclore que reconheceu o estudo do folclore como parte integrante das ciências antropológicas e culturais e que “as maneiras de pensar e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação, e que não sejam influenciadas pelos círculos eruditos” são um fato folclórico (Brandão, 1984).

Folclore brasileiro

O folclore tem um peso bastante importante em nossa sociedade, principalmente ao considerarmos as dimensões continentais de nosso país. Nesse contexto, ele significa um conjunto de culturas de um determinado grupo social de regiões diversas do país e pode ser denominado por uma sequência de acontecimentos, reais ou fictícios, contados pelas gerações. Fruto do encontro das culturas indígena, africana e europeia (principalmente a portuguesa), o folclore brasileiro é extremamente diversificado, característica que percebemos por meio das individualidades de cada região, mostrando que a diversidade não está somente no DNA, mas também na forma comer, festejar, rezar e viver.

 

Festa folclórica do Bumba meu Boi
Bumba meu Boi, uma dança com influências das culturas africana, europeia e indígena. Foto: Yuri Graneiro

 

Como mencionamos, a diversidade do povo brasileiro é ilustrada pelo folclore através de lendas, canções, danças, artesanatos, festas populares, brincadeiras, etc. que estão carregadas de representatividade, história e elementos sociais. A Festa do Boi Garantido e Caprichoso no Amazonas, por exemplo, aborda diversas temáticas, principalmente a cultura regional como os rituais indígenas, as danças tribais, costumes dos ribeirinhos e as lendas, representado por meio de encenações, alegorias lendas, bonecos e trajes. 

Outro exemplo é o bumba meu boi, dança que surgiu no século XVIII na região Nordeste. Com influências das culturas africana, europeia e indígena, a dança representa a história de um casal de escravos que enfrenta a fúria de um senhor de engenho após matar um boi da fazenda. Os dois, então, tentam de tudo para ressuscitar o bicho que, quando volta à vida, toda a comunidade celebra. A brincadeira possui uma variedade de nomes pelo Brasil: no Amazonas é Boi-Bumbá; na Paraíba, Boi-de-Reis; no Ceará, Boi Surubi; Boi Calemba ou Calumba no Rio Grande do Norte; Boi Pintadinho no Rio de Janeiro; Boi-de-Mamão em Santa Catarina e Boizinho no Rio Grande do Sul. Já no Maranhão, estado que concentra o maior número de grupos, o nome é Bumba meu boi, a nomenclatura mais conhecida.

Entre as principais danças que fazem parte do nosso folclore, podemos destacar também o samba de roda, muito associado à capoeira e às religiões de matriz africana, o frevo, que virou marca registrada do carnaval pernambucano, o maracatu, também bastante característico do carnaval nordestino. 

 

 

Brincadeiras e jogos também fazem parte da nossa tradição folclórica. Brinquedos como pião, bola de gude, pipa, além dos jogos de amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, pula-corda, cabo de guerra, passa anel, gato mia e cabra-cega. O artesanato também não fica de fora. Ele é lembrado em peças de barro, tecido, palha e madeira que, além de enfeitar a casa, dão um ar mais colorido para o ambiente. Ou seja, o folclore brasileiro é extremamente rico e ajuda a construir e a conservar a identidade social e cultural do nosso povo.

 

Referências

BATISTA, P. Folclore brasileiro: o que é, lendas e principais personagens. [S. l.], 8 ago. 2018. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/folclore-brasileiro.Acesso em: 24 agosto 2020.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Folclore. São Paulo: Brasiliense, 1984, p, 31.

Catenacci, Vivian. “Cultura Popular: entre a tradição e a transformação”. In: São Paulo em Perspectiva, 2001; 15 (2).

FRADE, Cáscia. Folclore/Cultura Popular: aspectos de sua História. Disponível em: https://www.unicamp.br/folclore/Material/extra_aspectos.pdf. Acesso em 25 agosto de 2020.

Fundação Palmares. Bumba meu boi. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/?p=40485. Acesso em 25 agosto de 2020.

SOUZA, Patrícia. Resgatando o folclore brasileiro. Disponível em: https://www.ufjf.br/virtu/files/2010/04/artigo-2a1.pdf. Acesso em 25 agosto de 2020.

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