Entrevista com Lu Big Queen: “saber minha ancestralidade me tornou muito mais viva”

Conhecer as origens dos nossos antepassados e as suas histórias é uma excelente maneira de entender quem somos e quais foram os caminhos que nos trouxeram até onde estamos hoje. Além disso, esse conhecimento pode nos abrir os horizontes para entrarmos em contato com outras culturas e aprender com elas. 

No caso da Lu Big Queen, saber a sua ancestralidade lhe deu a sensação de pertencimento. A influenciadora digital e modelo descobriu, através de uma análise do seu DNA, que seus antepassados eram, principalmente, da Costa da Mina, na África – região oeste do continente, onde se localizam Benin, Gana, Nigéria e Togo. 

Lu é filha adotiva e cresceu com uma família de descendentes italianos. Seus trabalhos nas redes sociais sempre abordaram as vivências da mulher preta no Brasil. Desde a adolescência sentia a necessidade de se aproximar mais de sua identidade africana e de descobrir como era a cultura dos seus familiares que vieram da África, o que era uma tarefa difícil levando em consideração a falta de registros históricos que pudessem dar pistas sobre o assunto. 

Ela encontrou como alternativa o Teste de Ancestralidade da Genera, que indica, em porcentagens, todas as regiões do mundo que compõem o DNA de cada pessoa. Lu o adquiriu com o pacote de celebração da Brafrika, que oferece, junto ao teste, vários elementos para estreitar os laços da pessoa com suas origens, como um jantar, consultoria estética e um livro ilustrado inspirados na cultura dos seus ancestrais. 

Em uma conversa com a Genera, Lu nos contou como foi toda essa experiência e o que sentiu ao descobrir mais sobre si mesma. Confira a entrevista abaixo!

Que sentimentos você teve ao ver os resultados do teste de ancestralidade? Ele te surpreendeu? 

Realmente me surpreendeu. Eu vi que a maior porcentagem do meu DNA vem de África, da Costa da Mina, mas havia outras porcentagens menores de outros países, inclusive da Itália. Como eu tinha essa coisa de querer buscar sobre minhas raízes, achei muito interessante que, mesmo eu não pertencendo à minha família de forma sanguínea, eu tenho em meu DNA a Itália também. Foi muito bom eu conseguir saber sobre o pertencimento a algum lugar, especialmente ao continente africano, que foi a maior porcentagem no meu teste. 

Qual foi a reação da sua família, especialmente por você também ter um pouco de Itália no seu DNA? 

Eles gostaram bastante. É uma forma de conhecer o desconhecido. Eu sou essa parte do desconhecido da minha família. Foi muito importante, porque eles perceberam que isso era importante pra mim. Eu gostei muito porque eles me apoiaram e gostaram que existe essa porcentagem italiana no meu DNA. Eu fui apresentada para minha família adotiva de uma forma e agora eles conhecem de onde eu venho. Quando você é de uma família branca, você geralmente sabe quem são seus antepassados. Para eles foi uma conquista. Por isso eles apoiaram. Saber de onde você vem te torna mais seguro, mais forte. 

Em muitos casos, existem poucos ou nenhum registro histórico sobre o passado das pessoas negras brasileiras. Como você vê a importância para esse grupo de se fazer um teste de ancestralidade e de saber sobre as origens? 

Para nós, pessoas negras, a ancestralidade é uma coisa que foi apagada da nossa história. Conseguir identificar de quais lugares específicos nós somos é, também, conseguir de alguma forma ter a possibilidade do retorno. É conseguir retornar às nossas raízes. E pra conseguir retornar, a gente precisa ter um caminho, um direcionamento, que nos foi tirado com a escravidão. Por mais que sejamos todos pretos, somos de lugares diferentes. Fazer o teste me permitiu direcionar a um lugar específico, que me levou a fazer estudos, pesquisas e pensar na possibilidade de retorno. Foi muito importante a experiência para ter essa identificação. Era algo que eu sentia falta por não pertencer a uma família negra e por não estar em um ambiente negro, e sim em um ambiente que se identificava mais com países europeus. 

Por que você quis ter essa possibilidade de retorno às raízes? 

Quando você consegue se reconhecer, você se sente muito mais forte para conseguir viver a sua vida. Quando você sabe que tem uma base e onde está essa base, você automaticamente sabe que existe um lugar que é seu. Isso te torna mais forte para encarar a vida. A partir disso, você vê que você não é só uma, mas que faz parte de um coletivo muito maior. Ter esse conhecimento te torna mais forte. 

E é importante também para expandir o conhecimento das pessoas sobre o mundo, não é? O que você aprendeu com os resultados? 

Justamente isso despertou o meu interesse de conhecer mais, de conseguir fazer pesquisas e estudos que te façam saber não só a cultura, mas sobre as identidades, sobre o contexto econômico e político dos lugares da nossa origem. No caso da África, você começa a ter interesse de pesquisar a fundo o continente. As pessoas pensam na África como uma coisa só. Mas ela é dividida em vários países, com culturas e costumes diferentes. Saber isso te dá vontade de se identificar mais. 

Quais são algumas maneiras de se reconectar com a cultura? Como incorporar os resultados do teste no dia a dia? 

Na minha cabeça, vem muito a conexão através do corpo. Eu sou uma pessoa que trabalha com a questão artística, com atuação, dança, moda. Eu já conheci a culinária africana, conheci lugares que têm a ver com a cultura. Faço parte de coletivos direcionados à dança afro. Eu quero direcionar a dança para os lugares específicos das minhas origens. Eu trabalho com o mercado de moda plus size. Pesquisando a moda através do olhar africano, vi que a moda plus size faz muito mais sentido do que quando você olha pra ela a partir de um olhar eurocêntrico. A moda pelo olhar africano é para todos os tamanhos. Não existe isso de um determinado padrão conseguir encontrar roupa e outro grupo não. Comecei a entender que fazem mais sentido os trabalhos que eu faço, sempre trazendo uma proposta afro-diaspórica e africana. No contexto da moda africana, o tamanho não te impede de se sentir bem, porque há propostas pra vários tamanhos de corpos e existe um respeito pelo corpo gordo na moda africana. É uma oportunidade para as pessoas se reconhecerem e se sentirem pertencentes, para entenderem que em algum lugar a moda te abraça, te aceita e respeita. E eu percebo muito isso na África. 

Depois de tanta imersão cultural, você acha que a sua percepção sobre você mesma mudou de alguma maneira? 

Me tornou muito mais viva, muito mais pertencente. E me deu muito mais vontade de direcionar meus estudos e meu trabalho para conseguir trazer neles essa identidade que me forma, me faz existir aqui. Essa identidade se tornou mais presente nos trabalhos de moda e artísticos que eu faço. Me deu vontade de ir a fundo e conseguir trazer mais conhecimento para as pessoas e de celebrar as pessoas que fazem parte da minha ancestralidade. Eu acredito que eu tenho a missão de passar adiante esse conhecimento. Ter esse acesso ao meu DNA e saber sobre o meu universo – como indivíduo, como mulher negra – me fez entender que eu preciso passar tudo isso adiante. Me fez querer ser uma griô. Os griôs passam a história através da oralidade, da comunicação. É uma oportunidade de se tornar mais consciente das coisas que você faz. É uma forma de combater o racismo, a gordofobia, coisas que eu vivo todos os dias, entendendo que eu venho de um lugar onde não existe isso. É um lugar onde existem várias pessoas como eu. Você tem essa segurança maior para lidar com isso, porque sabe que em algum lugar os seus estão te dando força para você continuar seguindo. A referência te traz essa potência.

Celebre o seu passado a partir do seu DNA 

Já pensou em descobrir quais são as suas origens?  

O seu DNA guarda essa informação. Com o Teste de Ancestralidade da Genera, você pode desvendar todas as regiões do mundo que fazem parte do seu DNA. Os resultados são apresentados na forma de um mapa e indicam as porcentagens de cada lugar de onde vieram seus ancestrais. Além disso, você descobrirá, com a ferramenta Linhagens, o caminho percorrido por eles há mais de 100 mil anos. 

Veja um exemplo dos resultados

Conheça também os pacotes da Brafrika, empresa parceira da Genera. A Brafrika oferece, junto aos testes de ancestralidade, um kit de celebração com vários produtos elaborados com base nos resultados do teste de DNA da pessoa.