A figura do Samurai é misteriosa e povoa o imaginário popular: personagens com uma espada de rápido saque, uma armadura robusta e complexa, usando uma máscara com chifres. A figura é presente em filmes, HQs, animes e referência pop geral. Mesmo que com muitas diferenças entre si nas diferentes épocas durante os 700 anos que existiram, algumas coisas uniam os samurais. Em comum, todos eles eram bem treinados para situações de combate e deviam saber lidar bem e pensar com calma em situações de pressão e estresse. Será que isso está no DNA?
 

 A história dos samurais

Os samurais surgiram durante o Japão feudal, por volta do século XII. Nessa época, a região ainda era altamente fragmentada, e cada divisão de região, chamada shôen, era governada pelo senhor feudal, o daimyô. No entanto, num período de guerras e disputas, era preciso proteger sua terra. Para isso, os daimyô contratavam os samurais – guerreiros altamente treinados e educados que juravam lealdade ao seu daimyô até a morte, seguindo um código estrito de honra. Um daimyô poderia ter diversos samurais, chegando a construir quase que um exército próprio, de acordo com o seu poder aquisitivo e tamanho de suas terras.
 

Mapa do Japão Feudal dividido entre dezenas de regiões controladas por diferentes líderes, chamados de Daimyo.
Mapa do Japão feudal entre os anos de 1564 e 1573. As palavras capitalizadas representam as diferentes regiões, chamadas shôen, e as palavras em itálico são os nomes dos diferentes daimyô.

 
Os samurais tinham uma educação de alta qualidade e eram considerados da elite da sociedade feudal japonesa. Eram letrados em kanji – uma das escritas japonesas, que não era muito difundida na época – e passavam por formação em ciências e em matemática. Eles também eram treinados desde criança em artes marciais para aprenderem a lutar com espada, arco e flecha, lança e alabarda. Também deveriam saber nadar e mergulhar. 
Treinavam artes marciais corpo a corpo dos diversos tipos, que são reunidas sob o nome de bujutsu (arte do guerreiro). Outro aspecto marcante era que seguiam o bushidô (o caminho do guerreiro), o código de honra, análogo ao código de honra feudal europeu. Eles levavam sua honra muito a sério e ela seria protegida em último caso pelo seppuku. Nesse ritual, caso o samurai tivesse sua honra manchada, ou tivesse sido derrotado ou ferido, ele praticaria o suicídio como uma forma de manter a sua honra intacta. O bushidô também apresentava outros dogmas, e, apesar de diversas versões, o código era fundamentado em 7 princípios:
 

GI (義) – Justiça e moralidade, atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;

YÛ (勇) – Coragem, bravura heroica;

JIN (仁) – Compaixão, benevolência;

REI (礼) – Polidez e cortesia, amabilidade;

MAKOTO (誠) – Sinceridade, veracidade total;

MEIYO (名誉) – Honra, glória;

CHÛ (忠) – Dever e lealdade.

 
Os samurais existiram até a década de 1870, quando foram abolidos. Era estimado que, na época, 5% da população fosse formada pela classe samurai. Como eram letrados e com boa educação, muitos foram estudar no exterior, e fundaram escolas de ensino superior, viraram repórteres ou escritores ou ingressaram na política. É estimado que, em 1920, 35% dos empresários japoneses eram da classe samurai.
 

Samurai japonês vestido com sua armadura.
Samurai japonês em sua armadura, 1860; Fotografia colorizada.

 

 O gene guerreiro

Para aguentar o treinamento intensivo desde criança, conciliá-lo com a educação e o código de honra, e travar batalhas que poderiam ser mortais, é preciso muito mais que preparo físico. É preciso uma mente que saiba lidar com muita pressão – e de preferência que funcione ainda melhor sob pressão. E é possível que os melhores samurais tenham tido uma ajuda de um gene específico: o gene guerreiro, caracterizado pelo SNP rs4680.
Para entender o que o gene guerreiro faz, precisamos entender um pouco da fisiologia do estresse. Quando estamos sob situação de pressão, o nosso cérebro libera dopamina no córtex pré-frontal. Para uma das variantes do gene guerreiro, os “Worriers” (preocupados), a dopamina pode atrapalhar o desempenho em situações de pressão, levando a ansiedade e baixo desempenho. Já as pessoas que possuem a segunda variante, os “Warriors” (guerreiros), possuem um nível basal de dopamina mais baixo, portanto, quando o cérebro libera mais dopamina em situações de estresse, o guerreiro chega a uma concentração ideal e pode ter um desempenho até melhor sob pressão – o que é ideal para uma classe como os samurais que lidavam constantemente com ambientes como campos de batalha e invasões. 
Isso não quer dizer que os Worriers tenham uma desvantagem inerente – alguns deles podem até aprender a lidar melhor com a pressão durante a vida. Além disso, os Worriers são melhores em tarefas de memorização e tem ótimo desempenho sob situações normais – até melhor que os Warriors.
 
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 Referências

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