
A deficiência de alfa-1 antitripsina (DAAT) é uma condição genética associada à produção reduzida ou defeituosa da proteína alfa-1 antitripsina (AAT), essencial para proteger o organismo, principalmente o fígado e os pulmões, de processos inflamatórios e degradativos.
A falta ou mau funcionamento dessa proteína pode causar danos ao sistema respiratório e ao fígado, trazendo consequências ao longo da vida do paciente.
A deficiência é mais prevalente na Europa e nos países do hemisfério norte, enquanto no Brasil, a prevalência é de 1,44% entre os pacientes de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Os portadores da DAAT têm pelo menos um alelo deficiente nos cromossomos, mas, felizmente, muitos deles não desenvolvem sintomas. Continue a leitura para saber mais.
O que é deficiência de alfa 1 antitripsina?
A Deficiência de alfa-1 antitripsina é uma doença genética de herança autossômica codominante causada por alterações no gene SERPINA1, o responsável pela produção da proteína AAT.
A AAT normalmente é sintetizada no fígado e circula pelo sangue, desempenhando o papel de inibidor de proteases, enzimas que, se não reguladas, podem degradar tecidos, especialmente nos pulmões – provocando inflamações e danos aos órgãos.
Quando há ausência ou deficiência de AAT, seu papel protetor é comprometido: no pulmão, as proteases podem destruir estruturas importantes, e no fígado, formas anormais da proteína podem se acumular, danificando o órgão.
O que causa deficiência de alfa-1 antitripsina?
A DAAT é causada por mutações genéticas no gene SERPINA1. Essas mutações podem reduzir a produção da AAT, alterar sua estrutura ou interferir na liberação da proteína para a corrente sanguínea.
Já foram identificadas mais de 200 variantes nesse gene, sendo as mais comuns chamadas de alelo Z (PIZ) e alelo S (PIS) .
A herança genética é codominante, ou seja, o indivíduo herda um alelo do pai e outro da mãe. Dependendo da combinação desses alelos, os níveis de AAT e a gravidade da deficiência podem variar bastante.
Além disso, fatores ambientais e comportamentais, como tabagismo, exposição a poluentes, poeiras ou fumaça excessiva, podem agravar o risco e a velocidade de manifestação dos sintomas, especialmente pulmonares.
Sintomas de deficiência de alfa-1 antitripsina
Os sinais e sintomas da DAAT variam conforme o órgão afetado (pulmões, fígado, pele, vasos) e a gravidade da deficiência. Veja a seguir:
Pulmões
- Falta de ar;
- Chiado no peito;
- Tosse crônica;
- Produção de muco excessivo;
- Infecções respiratórias frequentes.
Em muitos casos, o quadro evolui para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com comprometimento progressivo da função pulmonar.
Fígado
- Acúmulo da forma anormal de AAT no fígado pode provocar lesão hepática;
- Em bebês, pode haver colestase e icterícia (pele e olhos amarelados) nos primeiros meses de vida;
- Em adultos, o acúmulo persistente pode evoluir para fibrose, cirrose e, em alguns casos, aumentar o risco de câncer de fígado.
Outros órgãos e tecidos
Em casos mais raros, podem ocorrer manifestações de pele, como uma inflamação chamada paniculite, ou complicações vasculares.
Vale destacar que algumas pessoas, mesmo apresentando a alteração genética, nunca desenvolvem sintomas.
Como saber se tenho deficiência de alfa-1 antitripsina?
O diagnóstico da DAAT baseia-se inicialmente em exames laboratoriais. O primeiro passo costuma ser a dosagem sérica da AAT.
Em caso de resultado baixo ou alterado, recomenda-se a realização do exame genético para identificar a variante específica do gene SERPINA1. Se houver histórico familiar, o teste também é recomendado.
Por fim, exames complementares auxiliam nas tomadas de decisão para manejo da condição, como exames de função pulmonar, exames de imagem e de função do fígado.
Tratamento da deficiência de alfa-1 antitripsina
Não existe cura para a DAAT, mas há formas de tratamento e de manejo para controlar os sintomas e retardar a progressão dos danos aos órgãos em pacientes sintomáticos.
Quando ocorre o comprometimento pulmonar, pode ser recomendada a terapia de reposição com administração intravenosa de AAT derivada de plasma humano para manter os níveis da proteína em um patamar protetor.
Outros tratamentos incluem o uso de broncodilatadores, reabilitação pulmonar e uso de oxigenoterapia, se necessário.
Em casos de comprometimento hepático grave, com cirrose ou risco de insuficiência, pode haver indicação de transplante hepático.
É fundamental evitar fatores de risco que pioram a condição, como tabagismo, exposição a poluentes e alcoolismo, e manter o acompanhamento médico regular.
Painel Doenças Genéticas – Genera
Pessoas com suspeita de deficiência de alfa-1 antitripsina podem realizar exames genéticos para avaliar riscos, confirmar diagnósticos e ainda fazer planejamento familiar.
O painel Doenças Genéticas da Genera analisa variantes em genes associadas a mais de 20 doenças genéticas, incluindo a deficiência de alfa-1 antitripsina, fornecendo informações sobre predisposições genéticas que vão ajudar nas tomadas de decisões preventivas, como parte dos cuidados com a saúde.
Para saber mais sobre o exame, acesse nossos canais online.
Fonte: Dr. Elie Fiss, médico pneumologista da Dasa, Larissa Bonasser, Bióloga, Mestre em Ciências da Saúde e Analista de Pesquisa e Desenvolvimento na Genera, e Giovanna Venas, graduanda em Biologia.

