
Para muitas pessoas, conhecer a própria origem vai além da curiosidade. É uma busca que envolve identidade, pertencimento e a tentativa de preencher lacunas que permaneceram abertas durante anos. No Brasil, esse tema ainda é especialmente relevante: milhões de pessoas convivem com a ausência do nome do pai em seus registros de nascimento.
De acordo com dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), mais de 1,7 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai na última década. Somente em 2025, cerca de 174 mil registros foram realizados nessa condição.
Embora cada história seja única e nem todos tenham o desejo de descobrir sua origem biológica, o avanço da tecnologia tem criado novos caminhos para quem deseja encontrar respostas sobre a própria trajetória familiar. Um desses caminhos é a genealogia genética, área que utiliza informações de DNA para identificar conexões familiares e reconstruir árvores genealógicas.
O que é genealogia genética?
A genealogia genética combina ciência e pesquisa familiar para identificar parentes biológicos por meio da comparação de marcadores genéticos. Diferentemente dos exames tradicionais de investigação de paternidade, que buscam confirmar uma relação específica entre duas pessoas, a genealogia genética permite localizar familiares em diferentes graus de parentesco.
Segundo Ricardo Di Lazzaro, médico geneticista e fundador da Genera:
“Nos últimos anos, a popularização dos testes de DNA e o crescimento das bases genéticas ampliaram as possibilidades de pessoas que desejam conhecer sua origem biológica. Diferentemente dos exames tradicionais de investigação de paternidade, a genealogia genética identifica parentes em diferentes graus de proximidade, permitindo reconstruir árvores genealógicas e localizar familiares mesmo quando há poucas informações sobre a família de origem.”
Essa abordagem se tornou cada vez mais eficiente à medida que os bancos de dados genéticos cresceram, aumentando as chances de encontrar parentes que compartilham segmentos de DNA semelhantes.
Como um teste genético pode ajudar a encontrar familiares?
A Genera já realizou mais de 600 mil testes genéticos, formando uma ampla base de dados que favorece a identificação de conexões familiares. O teste é realizado por meio de uma amostra de saliva ou sangue e oferece, de forma opcional, o recurso Busca Parentes.
Quando ativada, essa funcionalidade compara regiões compartilhadas de DNA entre usuários que também optaram por participar da rede. A partir dessas correspondências genéticas, é possível identificar diferentes graus de parentesco e avançar na construção da árvore genealógica familiar.
Em muitos casos, a descoberta não acontece diretamente por meio do pai biológico. Um primo distante, um tio ou outro familiar pode fornecer pistas importantes para a reconstrução da história familiar. Combinando resultados genéticos, documentos e registros históricos, muitas pessoas conseguem encontrar informações que pareciam inacessíveis.
É importante destacar que resultados obtidos pela genealogia genética indicam evidências de parentesco biológico, mas relações diretas devem ser posteriormente confirmadas por exames específicos de investigação de paternidade ou outras análises complementares.
A história de Caroline: quase 40 anos em busca de respostas
Foi justamente por meio da genealogia genética que a bancária Caroline Moreno descobriu a identidade de seu pai biológico após quase quatro décadas de busca. Criada pela mãe e pelos avós maternos, ela cresceu sem informações sobre o lado paterno da família.
Caroline realizou um teste genético da Genera e ativou a ferramenta Busca Parentes. A partir das primeiras correspondências encontradas, iniciou um trabalho de investigação que envolveu a reconstrução da árvore genealógica materna, análise de documentos, cruzamento de informações e contato com novos parentes descobertos ao longo do caminho.
Após cerca de nove meses de pesquisa, ela conseguiu localizar seu pai biológico, empresário residente em Recife (PE). A experiência acabou se transformando também em um livro, Onde Está Meu Pai?, no qual relata toda a jornada de descoberta de suas origens.
Confira o depoimento de Caroline.
Tecnologia a serviço da identidade e da história familiar
Para muitas pessoas, encontrar familiares biológicos representa mais do que revelar nomes e conexões genéticas. Trata-se de compreender a própria história e construir um sentido mais amplo de pertencimento.
Como destaca Ricardo Di Lazzaro:
“A genealogia genética tem permitido que milhares de pessoas encontrem respostas que permaneceram inacessíveis durante décadas. Mais do que localizar parentes, essa tecnologia ajuda a reconstruir histórias familiares, compreender as próprias origens e preencher lacunas importantes da identidade. É uma ferramenta que amplia possibilidades, mas cada descoberta precisa ser conduzida com responsabilidade e, quando necessário, confirmada por exames específicos.”
À medida que as bases genéticas continuam crescendo, as possibilidades de conexão entre familiares também se ampliam, oferecendo novas oportunidades para quem deseja conhecer melhor suas origens e reconstruir a própria história.