
O Brasil é o país com a maior população de descendentes de italianos fora da Itália. Essa herança aparece na culinária, na arquitetura, no dialeto e, claro, nos sobrenomes italianos que atravessaram o Atlântico e se fixaram por aqui.
A grande maioria chegou entre 1870 e 1920, durante o período conhecido como “grande imigração”. Segundo o IBGE, os primeiros a deixar a Itália foram sobretudo os vênetos — cerca de 30% do total —, seguidos por imigrantes da Campânia, da Calábria e da Lombardia.
Eles se espalharam principalmente por São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.
Cada sobrenome pode revelar a profissão do antepassado, a região da Itália de onde ele veio, uma característica física marcante ou até uma devoção religiosa.
Sobrenomes italianos
A lista de sobrenomes italianos presentes no Brasil é imensa. O site SobreNomes, da Genera, reúne centenas deles, cada um com sua etimologia, variações e registro histórico de quando e onde chegaram ao país.
A seguir, listamos os sobrenomes italianos mais frequentes no Brasil, com base nos registros de imigração e na frequência com que aparecem nas diferentes regiões do país.
Quanto mais famílias chegaram com aquele sobrenome e quanto mais ele se espalhou pelo território brasileiro, maior sua presença na lista.
Rossi
É o sobrenome italiano mais comum no Brasil e um dos mais frequentes na própria Itália. Vem do adjetivo italiano rosso (“vermelho”) e era originalmente um apelido dado a pessoas ruivas ou de tez avermelhada.
No Espírito Santo, é o segundo sobrenome mais comum entre os imigrantes italianos, com 163 registros de chegada entre 1875 e 1950. O pioneiro foi Virgílio Rossi, que desembarcou em Vitória em 27 de dezembro de 1875.
Ferrari
Sobrenome de origem profissional, derivado do latim ferrarius — “ferreiro”, quem trabalhava com ferro. Era uma das profissões mais comuns na Itália medieval.
Chegou ao Brasil com os imigrantes do final do século 19 e está presente em grande número no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
Martinelli / Martini
Sobrenomes que têm origem no nome próprio Martino — versão italiana de Martinho —, que deriva do latim Martinus, referência a Marte, o deus romano da guerra. Tornaram-se populares na Idade Média pelo culto a São Martinho de Tours (316-397).
No Brasil, chegaram principalmente ao Espírito Santo e ao Rio Grande do Sul a partir de 1874. Em São Paulo, o empresário Giuseppe Martinelli construiu, na década de 1920, o Edifício Martinelli — o primeiro arranha-céu paulistano.
Benedetti
Sobrenome patronímico de origem religiosa, derivado do nome Benedetto — do latim Benedictus, que significa “o bem-dito” ou “abençoado”. Tornou-se comum entre os cristãos desde o século 8, impulsionado pelo prestígio de São Bento de Núrsia, fundador da ordem beneditina.
Mantovani
Sobrenome que tem origem no nome da cidade de Mântua (Mantova), na região da Lombardia. É muito comum nas regiões da Emília-Romanha, Vêneto e Ferrara, onde é o mais frequente.
No Brasil, o pioneiro foi Giovanni Mantovani, que desembarcou em Vitória, no Espírito Santo, em 26 de outubro de 1876.
Antonelli
Sobrenome que deriva do nome próprio Antônio — um dos mais usados na Roma antiga, carregado pela influente família dos Antonius. Há várias variações, como Antonello, Antonielli e Antonini.
No Brasil, chegou com os imigrantes italianos no final do século 19. Entre os pioneiros, a família de Eusébio Antonelli chegou à colônia Caxias, no Rio Grande do Sul, em 30 de maio de 1876.
Tomasi / Tomasini / Tomazzi
Sobrenomes com origem no nome próprio Tomás, do aramaico Toma, que significa “gêmeo”. Variações como Tomasini e Tomazzi são igualmente comuns no Brasil.
Os primeiros registros de chegada ao país são do Espírito Santo: Alberto Tomasi desembarcou em Vitória em 17 de junho de 1875.
Farina
Sobrenome ligado a uma profissão, derivado do latim farina — “farinha”. Era dado a moleiros ou a quem trabalhava com grãos. No Brasil, está presente desde a segunda metade do século 19, com chegadas registradas no Espírito Santo, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Em Bento Gonçalves, Giuseppe Farina fundou, em 1886, uma das primeiras oficinas de ferreiro da região — hoje transformada em indústria.
Piazza
Sobrenome que tem origem na palavra italiana piazza, ou “praça”. Deriva do latim platea e do grego plateia. É muito comum na Sicília e em outras regiões do sul da Itália.
No Brasil, ficou conhecido pelo jogador Wilson Piazza, campeão mundial de futebol em 1970 com a seleção brasileira.
Ferruccio / Ferrucci
Sobrenome de origem medieval, ligado ao ferro e ao ofício de ferreiro — do latim ferraio ou ferrarius. Um soldado romano chamado Ferruccio, que viveu em Mainz no século 4, foi executado após se converter ao cristianismo e recusar-se a lutar, tornando-se mais tarde mártir e santo católico.
No Brasil, chegou principalmente entre o final do século 19 e as décadas de 1910 e 1920.
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Para quem suspeita ter raízes italianas — seja pelo sobrenome, por histórias de família ou simplesmente por curiosidade —, o teste oferece respostas concretas que documentos e registros históricos muitas vezes não conseguem dar.
Fonte: Para quem suspeita ter raízes italianas — seja pelo sobrenome, por histórias de família ou simplesmente por curiosidade —, o teste oferece respostas concretas que documentos e registros históricos muitas vezes não conseguem dar.

