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O resultado da ancestralidade de irmãos pode ser diferente?

Testes de ancestralidade são uma febre: mais de 26 milhões de pessoas já realizaram análises desse tipo.

Além de ser um exame divertido e interativo, onde normalmente o resultado entregue está em uma plataforma online onde o indivíduo visualiza diretamente num mapa as regiões de onde vieram seus antepassados, há também um fator que aumenta o interesse pelo exame: a possibilidade de familiares também realizarem a análise e uma posterior comparação de resultados! Logo, é comum que uma pessoa faça o teste e depois ou convença seus familiares a fazê-lo ou mesmo presenteie seus entes queridos com testes do tipo.

É aí que mora uma das maiores dúvidas dos compradores do teste: como é possível que resultados de dois irmãos, filhos dos mesmos pais, apresentem resultados diferentes em seus testes de ancestralidade?

Vamos entender como isso é possível e por que não há nada de errado nisso.

Teste de ancestralidade: entenda o que é e como funciona

Uma das análises disponíveis é o teste de Ancestralidade Global. Nesse teste, através da análise de 700 mil pontos no DNA, são fornecidos valores percentuais para a localização biogeográfica do material genético do indivíduo testado. Essa ancestralidade identificada na análise sofre influência de até 5 gerações (até seus 16 trisavós/avôs).

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Resultado parcial de um teste de ancestralidade.

O resultado do teste irá conter as porcentagens de cada ancestralidade genética que o indivíduo possui, por exemplo: 40% europeu, 20% do oriente médio, 20% africano, 20% da américa-central, com as subdivisões dentro de cada continente (por exemplo, o teste pode indicar que destes 40% europeu, 20% são do leste europeu e 20% são das ilhas britânicas). A apresentação destes resultados pode variar de acordo com a empresa contratada já que a precisão da localização informada depende do tamanho da base de dados da empresa.

Se os pais são os mesmos, o DNA – e portanto o resultado – não deveria ser o mesmo?

Não, não é tão simples quanto parece. E a resposta está nos princípios da Genética Mendeliana.

Os seres humanos possuem 23 pares de cromossomos ao todo, sendo 22 deles autossômicos – ou seja, não relacionados ao sexo biológico do indivíduo – mas estes pares não são idênticos. Como esses cromossomos autossômicos (e também os cromossomos sexuais), são herdados de nossos pais, o que ocorre é uma mistura de informações genéticas que acaba sendo passada por gerações ao acaso, fazendo com que 50% dessa informação genética seja proveniente da nossa mãe e os 50% restantes do nosso pai. Dessa maneira, o máximo de DNA que podemos herdar de uma avó é 25% e, consequentemente, de bisavós, 12,5%.

Durante o nosso processo de reprodução, especificamente durante a meiose, ocorre a recombinação gênica, ou seja, a troca aleatória de material genético. A grande contribuição da meiose para a variabilidade genética é a capacidade de combinar de modo diferente os genes herdados dos pais. Por conta disso, a não ser que sejam gêmeos idênticos, irmãos sempre terão algumas diferenças no seu código genético, sendo possível, então, que não herdem a mesma ancestralidade genética.

Por isso, quando fizer seu teste de ancestralidade com seu irmão e se deparar com resultados diferentes, entenda que isso é perfeitamente normal e respaldado na genética. Inclusive, evolutivamente falando, é um dos fatores que contribui para aumentar a variabilidade genética da prole.

Saiba mais sobre Ancestralidade acompanhando nosso blog! Publicamos novos textos toda semana.

Referência

MAGALHÃES, Lana. Recombinação Gênica.
https://www.todamateria.com.br/recombinacao-genica/

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