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Menina veste rosa e menino veste azul? Nem sempre foi assim

Antes de os corantes serem baratos, crianças usavam branco

É muito comum atualmente, entre os países do Ocidente, associar a cor rosa ao sexo feminino e o azul ao sexo masculino. Para muitas pessoas de gerações relativamente mais recentes, essa é uma verdade “absoluta e irrefutável” que vem desde o berço. Ninguém estranha um quarto de menino decorado em tons de azul, ao passo que uma decoração em rosa certamente causará comentários e, em alguns casos, “preocupações” sobre os efeitos desta escolha sobre o futuro do garoto.

Até campanhas de saúde internacionais como o Outubro Rosa e o Novembro Azul se apoiam na associação entre cores e gêneros. Esta posição parece tão arraigada que até a ministra de Estado, Damares Alves, atual responsável pela pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, usou-a para criticar o que, no atual governo, é chamado de “ideologia de gênero”.

Posteriormente, ela relativizou as declarações, dizendo que tinha apenas feito uso de uma metáfora e que “os meninos e as meninas podem usar azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores”. Porém, a polêmica já havia se instalado e a frase, sido repercutida, criticada e/ou apoiada por milhares e milhares de pessoas.

Uma polêmica que talvez nem surgisse décadas atrás.

Menina veste… azul!

Como muitas das “tradições” que temos atualmente, o que determinou o fim da neutralidade foi um misto de gosto popular e campanhas de marketing elaboradas pela indústria e o comércio, em especial lojas de departamento nas principais cidades nos Estados Unidos, que queriam se diferenciar das demais.

Até a década de 1910, no início do século XX, não ocorreram tentativas de padronizar as cores para meninas e meninos. Já em 1916, uma revista sobre vestuário infantil dos Estados Unidos disse: “A regra geralmente aceita é rosa para menino e azul para menina”.

Mas como? Menino veste rosa e menina veste azul? Sim, esse era o padrão indicado pelos especialistas em indumentária infantil naquela época. Ainda em 1939, uma revista para pais, também dos EUA, argumentava que o rosa remete ao vermelho, cor do deus da guerra, Ares/Marte, enquanto o azul estaria associado a Afrodite/Vênus e à Virgem Maria.

A ideia era fazer alusão às características dessas divindades através da cor da vestimenta das crianças, conforme se observa no seguinte trecho: “O motivo é que o rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais apropriado para meninos. Enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina”.

Mas essa divisão não era um mandamento escrito em pedra. Vale lembrar que a ideia da separação das cores era se diferenciar das demais lojas, então algumas delas acabavam “contradizendo a regra” ao sugerir vestimentas cor-de-rosa para meninas e azul para meninos.

E antes disso?

O século XIX observou muitas transformações, dentre elas a evolução das ciências, como a química, impulsionada pelas emergentes indústrias farmacêutica e, especialmente, de corantes. Antes do surgimento dos corantes industrializados, havia apenas corantes naturais, de difícil obtenção, o que fazia com que seu preço fosse alto, tornando-os exclusividades das elites.

Por este motivo, roupas coloridas não eram muito difundidas no cotidiano popular, muito menos no caso das crianças, que crescem – ou seja, precisam de roupas novas com maior frequência. Além disso, crianças sujam roupas, e é muito mais fácil higienizar roupas brancas, já que podem ser fervidas sem estragar.

Também era comum, nesta época, que ambos os sexos usassem roupas abertas abaixo da cintura, como vestidos, porque isso facilitava a troca de fraldas ou peças sujas diariamente pelas crianças.

Como chegamos até aqui?

Não se sabe ao certo o que exatamente fez com que a tradição se consolidasse da forma que é hoje, mas a tendência atual começou a ganhar força somente depois do fim da II Guerra Mundial. A partir desse momento, determinou-se o padrão largamente difundido atualmente: rosa para meninas e azul para meninos.

Sobre o autor:Grupo Genera

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