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Bactérias: será que todas são vilãs?

As bactérias são pequenos organismos constituídos por apenas uma célula, tão pequenos que não conseguimos enxergá-los sem a ajuda de um microscópio. No entanto, apesar de invisíveis aos nossos olhos, elas estão por toda a parte: em locais sujos e limpos, em áreas urbanas e em ambientes silvestres, no chão, no teto e em nossos objetos pessoais. Quando pensamos nestes microrganismos, frequentemente os relacionamos a perturbações da nossa saúde, mas, afinal, estariam todos eles envolvidos com esse tipo de situação?

Talvez você se surpreenda, mas a resposta é não. Apesar de uma pequena parte das bactérias possuir potencial para causar doenças, algumas delas habitam nosso organismo ao longo de toda nossa vida sem nos causar grandes problemas. Muitas vezes, na verdade, essa relação pode trazer benefícios importantes que discutiremos a seguir.

Além disso, fora do nosso corpo, algumas bactérias estabelecem relações com diversos outros organismos, e são importantes para o equilíbrio de elementos químicos do ambiente, bem como por reduzir ou remover contaminações por metais pesados do ecossistema. Alguns desses microrganismos também costumam ser utilizados comercialmente na fabricação de produtos químicos, produção de vinhos, vinagres, queijos, medicamentos, além de outros setores da biotecnologia.

 

E no corpo humano? 

Logo ao nascermos, entramos em contato com bactérias do organismo materno e do ambiente, e permanecemos convivendo com elas ao longo de toda a vida. A este conjunto de microrganismos que reside em nosso corpo em estado saudável, em locais como o trato gastrointestinal (principalmente na boca e no intestino grosso), pele, couro cabeludo e mucosa vaginal, por exemplo, damos o nome de “microbiota residente”.

A composição de nossa microbiota depende de inúmeros fatores ambientais, como alimentação, doenças, hábitos de higiene e medicamentos utilizados. Em condições normais, as bactérias residentes não costumam nos causar problemas. Na realidade, a relação que estabelecemos proporciona benefícios mútuos: elas ganham a chance de viver em um ambiente estável e repleto de nutrientes, e nós recebemos seu auxílio na digestão (muitos destes microrganismos podem degradar moléculas que nós não conseguimos quebrar com nossa próprias enzimas) e na síntese de vitaminas, como a vitamina K – que atua na coagulação sanguínea – e algumas vitaminas do complexo B, além de sua contribuição para o desenvolvimento do sistema imunológico e para a inibição de infecções por outros microrganismos externos potencialmente patogênicos.

 

 

Alimentos probióticos e probióticos em cápsula começaram a se popularizar na segunda metade do século XX. Fonte: divulgação

O problema acontece quando ocorre algum tipo de desequilíbrio da composição da microbiota, ou quando o sistema imunológico fica debilitado, o que pode permitir que outros microrganismos externos se instalem, ou até mesmo que certas bactérias residentes, que seriam normalmente inofensivas, se tornem oportunistas, proliferando em excesso ou invadindo outros locais de nosso organismo.

Em condições normais, em geral, nosso próprio organismo consegue eliminar bactérias patogênicas indesejáveis sem necessidade de intervenções externas. No entanto, nem sempre a resposta do sistema imune é suficiente, e nesses casos pode ser necessário utilizar intervenção de medicamentos antibióticos, que devem ser prescritos por um médico.

É importante lembrar que o tratamento medicamentoso é essencial em muitos casos de infecção, mas deve ser feito com cautela e indicação profissional, pois além de eliminar os microrganismos indesejados, também afeta a microbiota residente, o que pode desregular o sistema imunológico e aumentar a vulnerabilidade a outras doenças.

Nessas situações, a administração concomitante de probióticos pode ser interessante, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio da microbiota mais rapidamente. No entanto, vale ressaltar que, mesmo em condições normais, cultivar hábitos alimentares e de vida que favoreçam a manutenção do equilíbrio da população de bactérias residentes em cada um de nós tem se mostrado cada vez mais importante para a manutenção de nossa saúde e bem-estar.

 

Referências:

TORTORA G. J.; FUNKE B. R.; CASE C.L. – Microbiologia – 10 ed. Porto Alegre: Artmed – 2012 (pgs 2, 16 a 18, 706)

Molinaro E.M., Caputo L.F., Amendoeira M.R.R. Conceitos e métodos para a formação de profissionais em laboratórios de saúde. 2009. Volume 4. Ed Artmed.

Gonçalves, MAP. Microbiota – implicações na imunidade e no metabolismo. Dissertação de mestrado. Universidade Fernando Pessoa, Porto. 2014.

RODRIGUES, AP. et al. Vitaminas hidrossolúveis. Rev. Saberes, Rolim de Moura, vol. 3, n. Esp. jul./dez., p. 72-82, 2015.

 

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