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Anemia na gestação: sinais e como tratar

Junho é o mês de prevenção à anemia, por isso iniciaremos este mês com um texto para conscientizar atuais e futuras mamães sobre essa condição. Muito recorrente em gestantes, “anemia” é o nome dado a um conjunto de doenças que possuem em comum a redução dos níveis de ferro no organismo. No entanto,  apesar de demandar grande atenção, esta complicação pode ser facilmente contornada se diagnosticada e tratada de forma correta.

O ferro é um nutriente essencial para a vida, sendo fundamental para a produção de hemoglobina e transporte de oxigênio para todas as células do corpo. Sendo assim, ingerir diariamente alimentos ricos em ferro é de grande importância para todos nós. No entanto, quando se trata do período gestacional, a falta deste nutriente no organismo da gestante é muito mais comum, por conta de mudanças fisiológicas que ocorrem durante a gravidez.

Não são raros, por exemplo, os casos em que mulheres grávidas relatam sobre o desejo de comer terra ou tijolo. O que poucos sabem é que essa vontade pode estar relacionada à falta de alguns nutrientes no organismo, como o ferro, indicando um possível caso de anemia. E mesmo que não possua nenhum desejo do tipo, é imprescindível que qualquer gestante seja acompanhada por seu ginecologista e obstetra regularmente para monitorar os níveis de ferro e iniciar o tratamento o mais rápido possível caso haja necessidade.

Segundo o Consenso de Anemia Ferropriva da Sociedade Brasileira de Pediatria (2 de junho de 2018), calcula-se que quase 2 bilhões de pessoas em todo o mundo são afetadas pela anemia. Segundo o Ministério da Saúde, crianças, gestantes, lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença.

Quais são os sintomas causados pela anemia?

Os sintomas da anemia variam de acordo com a gravidade da doença, porém o diagnóstico é realizado por exame laboratorial para dosagem de ferro no sangue. Em um quadro anêmico leve, a gestante pode sentir apenas um ligeiro cansaço, já em anemias médias e graves, o cansaço costuma ser mais generalizado, e outros sintomas aparecem, como: falta de ar e de apetite, palidez de pele e mucosas, menor disposição para o trabalho, entre outros.

O que pode causar anemia?

A causa mais comum é a deficiência de ferro na alimentação, que causa a anemia ferropriva, representativa de 95% dos casos.

É comum também que mulheres percam ferro durante a menstruação, o que prejudica a manutenção dos níveis desse nutriente. Já durante a gravidez gestantes precisam de uma quantidade maior de ferro do que aquela que normalmente possuem em seu organismo para o desenvolvimento do feto, placenta e cordão umbilical, e para as perdas sangüíneas por ocasião do parto¹. Como resultado, gestação e anemia costumam andar em conjunto.

Outro tipo de anemia que pode ocorrer é a anemia megaloblástica, que é uma doença caracterizada por geração de glóbulos vermelhos imaturos e disfuncionais, ocorre quando há deficiência de ácido fólico e/ou vitamina B12 – nutrientes essenciais para o metabolismo humano. Não é incomum que ela aconteça juntamente com a ferropriva – vale lembrar que ambas se relacionam com alimentação inadequada – fazendo com que seu diagnóstico seja muitas vezes deixado de lado. Por fim, a anemia perniciosa, geralmente causada pela deficiência de vitamina B12 – tem menor prevalência e acompanha manifestações neurológicas.

Quais são os riscos para a mãe e para o bebê?

A anemia durante a gravidez traz riscos principalmente para a mulher, que sofrem baixa na imunidade e tem maior chance de desenvolver complicações pós-parto. Porém nos casos de anemias muito graves e que não foram identificadas ou tratadas corretamente, o desenvolvimento do bebê também pode ser comprometido.

Especialmente a anemia ferropriva pode trazer riscos para a mãe e para o bebê, como fraqueza, atraso no crescimento e até parto prematuro. Já no caso de anemia megaloblástica, há um aumento do risco de defeitos congênitos do cérebro ou da medula vertebral (defeito do tubo neural), como a espinha bífida.

Lembrando que essas complicações podem ser facilmente evitadas quando o tratamento é feito de acordo com as orientações médicas.

Alimentos ricos em ferro incluem, além de carnes vermelhas e fígado, vegetais como brócolis, espinafre, abacate e lentilha. Fonte: brightpathkids.com

Como evitar e quais os tratamentos

O tratamento padrão para a anemia é a suplementação de ferro via alimentação e suplementos alimentares. No entanto, dependendo da gravidade do caso, o médico pode receitar também medicação intravenosa.

Na alimentação, é recomendado o consumo de verduras de folhas escuras, cereais enriquecidos com ferro, carne vermelha magra, frutos do mar, feijão e beterraba. Embora atualmente o leite enriquecido com ferro também já esteja disponível nos mercados, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o leite do tipo não enriquecido e os ovos não são fontes importantes de ferro.

Vale lembrar também que o acompanhamento por profissional da área de nutrição é de grande importância durante o período gestacional. Cada organismo possui necessidades nutricionais específicas, que devem ser avaliadas e manejadas por um profissional capacitado, de modo a garantir uma gestação saudável tanto para a mãe, quanto para o bebê.

Referências

1 – Ariani I. Malaquias B. Luiz O. “Alterações hematológicas e gravidez” . Mar. 2002, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842002000100006

2 – Fujimori. E, “Anemia e deficiência de ferro em gestantes adolescentes”.Maio de 2014. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Elizabeth_Fujimori/publication/237564208_ANEMIA_E_DEFICIENCIA_DE_FERRO_EM_GESTANTES_ADOLESCENTES1/links/02e7e5295c50e15316000000/ANEMIA-E-DEFICIENCIA-DE-FERRO-EM-GESTANTES-ADOLESCENTES1.pd

3 – Imperi A. “Diagnóstico e tratamento das anemias. Carências na gestação: consensos e controvérsias”. Dezembro de 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v3n4/18892.pdf

4- Ministério da Saúde. Biblioteca virtual da saúde: anemia”. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/431-anemia

5- Manual MSD. “Anemia durante a gestação”. Disponível em:https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/gravidez-complicada-por-doen%C3%A7a/anemia-durante-a-gesta%C3%A7%C3%A3o

6- Montenegro C. A. “Anemia e gravidez”. Artigo de revisão. 2014. Disponível em: http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=551

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